Mulheres + vendidas: 21 anos de presença feminina nas listas da Veja

Eliane Hatherly Paz

Resumo


Este artigo expõe o resultado de pesquisa quantitativa nas listas anuais de livros mais vendidos da Veja ao longo de 21 anos. Nosso objetivo, neste primeiro momento, foi dimensionar a presença de escritoras, brasileiras e estrangeiras, no ranking. Tendo o sociólogo francês Pierre Bourdieu como norte teórico, partimos da hipótese de que o poder de nomeação exercido pela revista Veja, próprio ao campo jornalístico, produz interferências no campo literário, já que pela explicitação de um lugar consagrado, literatos passam a ocupar um lugar privilegiado em relação a outros autores desse campo. A análise dos dados coletados nos anos 2000 a 2020 demostrou que, além de disputar visibilidade com escritores nacionais, as escritoras brasileiras também competem, e em desvantagem, com suas colegas estrangeiras. Uma análise dos títulos publicados buscou retratar a temática produzida por essas escritoras, assim como as preferências dos leitores em cada uma das quatro categorias. Nossa conclusão é que, se esse ranking chegou à maioridade no terceiro milênio, o mesmo não se pode dizer da presença de escritoras em nenhuma das quatro categorias contempladas pelas listas: ficção, não ficção, autoajuda e esoterismo, e infantojuvenil. Por conseguinte, deduz-se que o campo literário brasileiro de best-sellers é, ainda, predominantemente masculino.


Palavras-chave


escritoras e campo editorial; best-sellers e visibilidade; revista Veja e consagração literária

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