O DISCURSO DE “VERDADE” NO EDITORIAL DA REVISTA VEJA: “PROFESSORES, ACORDEM!”. ANÁLISE DO DISCURSO A PARTIR DE FOUCAULT E CHARAUDEAU

Matusalém de Brito Duarte, Vandeir Robson da Silva Matias

Resumo


A mídia utiliza-se, continuamente, do discurso de verdade e de enunciados argumentativos persuasivos e causalísticos como forma de desconstruir o discurso militante pela melhoria das condições de trabalho. Nesse jogo de poder, verifica-se a imposição do discurso de verdade, dissociando qualidade da educação da melhoria das condições de trabalho e valorização salarial. A maioria das reportagens traz implícita essa questão, buscando na influência pela sedução sua estratégia de dispersão. Nesse sentido, este artigo tem como objetivo analisar o discurso do editorial da revista Veja, intitulado “Professores, Acordem!”, disponível no link <http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/professores-acordem/>,a partir do conceito de práticas discursivas de Michel Foucault e de categorias analíticas inspiradas na semiolinguística de Patrick  Charaudeau,  como  a  expectativa  de significação,  a  territorialização  simbólica,  a  situação  de comunicação, as visadas discursivas, entre outras. Verificamos a utilização de tecnologias discursivas para  a  construção  do  discurso  de  verdade,  como  os  dados estatísticos  para  justificar  a  perspectiva apresentada e desqualificar as perspectivas esquerdistas; estratégia de aconselhamento aos professores sobre os caminhos ideais de luta, incitação à autoanálise como forma de autoculpabilização; estratégias infantilizadoras no trato aos docentes com o uso de linguagem informal e a busca do apoio da sociedade ao disseminar a ideia de que os docentes não merecem um retorno dado o tipo de serviço que oferecem.

Palavras-chave


Educação. Professores. Discurso midiático.

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